Cio
Em torno
dos oito meses inicia-se o período fértil do animal,
que é marcado pelo cio, fase em que a fêmea fica pronta
para cruzar e ter filhotes. Nas cadelas, o período fértil
ocorre entre o nono e o décimo segundo dias do cio, e ocorre,
aproximadamente, a cada seis meses. Nas gatas, tanto o período
de ocorrência do cio quanto o fértil, é variável
(o fértil dura em torno de 15 a 21 dias).
Estima-se que, tanto gatas quanto cadelas, podem gerar, em média,
12 filhotes ao ano. Entretanto, há que se considerar que o
número de filhotes por ninhada varia de acordo com o porte
dos pais, ou seja, animais de porte pequeno tendem a ter uma prole
pequena, e os de porte grande, uma prole com mais filhotes, o que
pode fazer com que uma fêmea tenha mais que 12 filhotes ao ano.
Observa-se que, por conta dos hormônios, o período reprodutivo
ocasiona fugas, brigas e marcação de território,
o que ´é sempre desagradável para os animais e
para os humanos.
Triste realidade
Todos
os anos milhares de cães e gatos são abandonados no
Brasil. Em São Paulo menos de 10% são adotados, e para
o restante o que sobra é o sacrifício. Todos os abrigos
existentes estão lotados de cães e gatos amorosos, desesperados
por um lar e uma família.
Corta-nos o coração quando vemos mais um bichinho abandonado,
atropelado ou todo coberto de sarna. Mas muitas pessoas acham que
a maneira mais fácil de ficar sem a ninhada indesejada, é
abandoná-la nas ruas, praças ou nos canis municipais,
sem pensar nas situações adversas que os filhotes enfrentarão
até a (provável) morte prematura e injusta.
Infelizmente, ainda tem muitas famílias que deixam seus animais
procriarem, com a “desculpa” de que querem um filhote.
Porém, somando o trabalho à falta de tempo e dinheiro,
essas famílias acabam querendo se livrar o quanto antes da
ninhada, não selecionando bons proprietários. Nesse
caso, se desejam realmente ter mais um bichinho em casa, é
tão simples, basta adotar um, já que mais de cem cães
e gatos são sacrificados por dia.
Outras, querem aproveitar a gravidez da cadela ou da gata para ensinar
sobre o “milagre” da vida aos filhos. Isso seria muito
bonito se houvessem lares responsáveis para todos os filhotes.
Já outras, dizem que sempre conseguem doar todos os filhotes,
mas a verdade é que nem sempre é possível conseguir
um proprietário responsável para todos os filhotes.
Além do mais, os filhotes crescerão e terão outros
filhotes, multiplicando o problema, e a pessoa não estará
lá para garantir um lar para todos. E quem garante que o novo
dono será responsável ou que o fim desse filhotinho
não será a rua e o sofrimento? É necessário
encontrar proprietários responsáveis que cuidem do animal
durante toda a vida dele e que impeçam a procriação.
Quando há muitos animais circulando pelas ruas, o Centro de
Controle de Zoonoses (carrocinha) é obrigado a recolhê-los,
para que não mordam as pessoas, nem transmitam doenças.
E a maioria dos animais recolhidos são mortos.
Essa realidade é muito triste, pois centenas de cães
e gatos nascem todos os dias, mas, apenas um a cada seis consegue
um lar.
Estudos realizados nos EUA, mostram que para cada 415 bebês
nascidos por hora, há entre 2 mil e 3 mil cãezinhos
e gatinhos novos. Isso significa que 60 mil animais devem morrer por
dia para que a população se mantenha estável
nas cidades.
E mais, estima-se que uma cadela pode dar origem a 67 mil cães
em um período de 6 anos! Isso pode ocorrer porque, por exemplo:
uma fêmea tem cinco filhotes, cada filhote quando atingir a
idade madura, irá se reproduzir, esses novos filhotes, também
irão se reproduzir quando chegarem à idade adulta, e
assim, sucessivamente. A cadela inicial, por sua vez, continuará
se reproduzindo e gerando novos filhotes e também se reproduzirão.
O crescimento se dá em progressão geométrica,
tornando difícil o controle. E a cidade, infelizmente, não
está preparada para receber toda essa população
animal. Com a taxa de natalidade descontrolada, aumenta-se o número
de abandono, de sacrifícios, de atropelamentos, maus-tratos,
etc.
Assim, a esterilização mostra-se como a solução
mais rápida e eficaz, acompanhada, é claro, do trabalho
de conscientização dos proprietários e das pessoas
em geral. E a conscientização contra essa dolorosa realidade
começa em nossa própria casa. Não devemos esperar
que nosso bichinho dê primeiro uma cria para só depois
castrá-lo, devemos fazê-la o quanto antes, deixando de
contribuir para essa triste realidade.
A esterilização faz parte do Programa Saúde do
Animal desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo, e está
entre os cuidados que um proprietário responsável deve
ter com o seu animal. Além das campanhas de esterilização,
existem clínicas veterinárias com preços bem
acessíveis.
A esterilização é menos traumática que
a repressão dos instintos sexuais dos animais a cada cio ou
a eutanásia sistemática de filhotes e animais adultos.
Vantagens da esterilização
-
Aumenta o tempo de vida do animal;
- Diminui os riscos de transmissão de doenças sexuais;
- Diminui o risco de tumores de mamas e útero nas fêmeas
e o risco de hiperplasia de próstata e tumores nos testículos
nos machos;
- O animal fica mais tranqüilo;
- O cio deixa de ocorrer;
- Diminui o risco de fugas atrás das fêmeas;
- Diminui a necessidade de marcar território por meio da urina
no ambiente, bem como o odor característico;
- Diminui o problema de latidos, uivos e miados excessivos.
Respostas às dúvidas freqüentes
1.
O animal não sofre, porque, no pré-operatório,
ele recebe anestesia geral, e após é medicado com analgésicos.
2. Os animais castrados ou esterilizados continuam tomando conta da
casa como antes, pois o instinto de preservação e proteção
continuam inalterados.
3. O animal não engorda em razão da cirurgia, mas sim
pela diminuição das suas atividades físicas.
Passeios, corridas, caminhadas e brincadeiras são bem-vindas.
4. Pesquisas comprovam que ter primeiro uma cria, para depois castrar,
não acrescenta saúde ao animal, tão pouco aumenta
o tempo de vida, pelo contrário, ao serem esterilizados reduzem
riscos de doenças, e no caso das fêmeas, reduzem em mais
de 90% risco de terem câncer de mama ou de útero.
5. Após o término do cio e mesmo o animal tendo cruzado
e ficado prenhe, a cirurgia pode ser realizada, devendo ser marcada
o quanto antes.
6. A partir dos dois meses de idade os filhotes já podem ser
esterilizados, tanto machos quanto fêmeas. A cirurgia nos filhotes
é mais rápida, simples e sua recuperação
também.
7. Os filhotes esterilizados crescem e se desenvolvem normalmente.
8. Após 30 dias que a fêmea pariu, ela já pode
ser esterilizada. Com as gatas deve-se tomar muito cuidado, pois mesmo
durante a amamentação podem apresentar outro cio e engravidar.
9. O uso de anticoncepcionais (indicado somente por médicos
veterinários) por longo período de tempo, pode ocasionar
efeitos colaterais indesejados, desencadeando uma doença grave
no útero.
Idade para esterilizar o animal
A cirurgia já é possível a partir dos 2 meses
de idade. O ideal é marcá-la após 15 dias da
primeira ou da segunda dose das vacinas.
Onde esterilizar o seu animal
Além das campanhas realizadas, onde a cirurgia é feita gratuitamente, é possível realizar a cirurgia em seu animal por meio do Programa Saúde do Animal, em uma das várias clínicas veterinárias credenciadas, com preços bem acessíveis. Para maiores informações acesse o site: www.programasaudedoanimal.com.br ou ligue para 6224-5500 / 6224-5551 ou contate uma das entidades protetoras a fim de obter indicações de clínicas ou datas de campanhas.
Lembre-se:
- A
esterilização é a forma mais rápida e
eficaz de evitar crias indesejadas, o abandono e o sacrifício
de animais.
- Você é peça fundamental para difundir essa alternativa
e salvar muitas vidas!
- Abrigo não é solução.
- Animal não é brinquedo.
- Animal não é presente, a não ser que você
tenha total certeza de que a pessoa a ser presenteada deseja o animal
e vai assumir a responsabilidade de cuidar dele por toda sua a vida
(em média 15 anos).
- Adote um animal ao invés de comprar e incentive os amigos
que querem um animal a fazerem o mesmo. Um animal vale pelo amor,
não pela raça.
- Quem ama cuida!